ZUNÁI - Revista de poesia & debates

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 EDUARD MARCO



 

 

Aquest diamant polit que veieu ara

Aquell dia carregàvem cabassos

Recordes pare

Ara que ha arribat l’hora de les síndries

Croquis

 

 

Este diamante polido que vêem agora 

Aquele dia carregávamos cestas

Você lembra pai

Agora que tem chegado a hora das melancias

Croqui

 

 

 

Aquest diamant polit que veieu ara

il·luminant precoç el full concèntric

de les vostres pupil·les, fou tempesta

calcària i ombra turmentada,

tosca riuada i fang sanguinolent,

drecera inexpugnable d’esbarzers.

Per arribar-hi, capgirà el temps

abans que l’alba fos una conquesta

la seua closca rústica de màrfega,

perforà el vel agònic del congost

com un reclús l’aposta subterrània,

i al capdavall, dessota el raig

on la pica amuntega les deixalles,

calenta encara com la fossa líquida

de l’or, feble com el cristall del torsimany,

madura com la fruita d’un quiròfan,

a la vista de tots, per sempre i fòssil,

la petjada dels versos que conclouen.

 

De Refugi Incòlume (2010)

 

 

Este diamante polido que veem agora 

iluminando precoce a folha concêntrica

das pupilas de vocês, foi tormenta 

calcária e sombra atormentada,

tosca cheia e lama sanguinolenta,

atalho inexpugnável de sarças.

Para consegui-lo, inverteu o tempo

antes que a alvorada fosse uma conquista

sua carapaça rústica de enxergão,

perfurou o véu agônico do desfiladeiro

como um recluso a aposta subterrânea,

e finalmente, baixo o jorro

onde a pia amontoa os desperdícios,

quente ainda como a tumba líquida

do ouro, fraco como o cristal do drogomano,

madura como a fruta dum quirófano,

à vista de todos, para sempre e fóssil,

o rastro dos versos que concluem.

 

De Refugi Incòlume (2010)

 

 

 

Aquell dia carregàvem cabassos

de cebes i un mig dia d’incendis

insofribles dins el nostre cervell.

Havíem de llençar-les al remolc

per damunt la barana de les hores

metàl·liques. Quan un tractor marxava

un altre hi arribava rugint, feroç,

secans i glops ressecs de corfes d’aigua.

Només ens protegia la figuera

i un vol de teuladins ventolejant

l’escassesa volàtil de l’oxigen.

Un dia rere un altre, la collita.

 

De Refugi Incòlume (2010)

 

 

Aquele dia carregávamos cestas

de cebolas e um meio-dia de incêndios

insofríveis em nosso cérebro.

Tínhamos de lançá-las ao reboque

por cima da cheda das horas

metálicas. Quando um trator partia

outro chegava rugindo, feroz,

sequeiros e sorvos ressecos de cascas de água.

Só protegia-nos a figueira

e um voo de pardais aventando

a escassez volátil do oxigênio.

Um dia trás do outro, a colheita.

 

De Refugi Incòlume (2010)

 

 

 

¿Recordes pare, les postes de sol

mentre regàvem el camp de blasfèmies

i jo espentava l’aigua i algú ens deixava

en sec i havies de pujar corrents

a obrir de nou el roll dels Avenars?

¿Recordes pare, el forn dels Italians

i els paquets de rosquilles, les quatre

de la tarda i els coloms omplint el cel

de cabrioles, el xiulet del vent?

¿Recordes pare, la porpra obscura

d’un parrup engrescada entre els joncs

de la Marjal, una nit qualsevol,

tothom buscant la manera d’entrar-hi?

 

De Refugi Incòlume (2010)

 

 

Você lembra pai, os pores do sol

enquanto regávamos o campo de blasfêmias

e eu empurrava a água e alguém nos deixava

em seco e você tinha que subir correndo

e abrir de novo o boqueirão dos Aveais?

Você lembra pai, o forno dos Italianos

e os pacotes de palitos de pão, as quatro

da tarde e os pombos enchendo o céu

de cabriolas, o assobio do vento?

Você lembra pai, a púrpura escura

dum arrulho animado entre os juncos

do Sapal, uma noite qualquer,

todos procurando a maneira de entrar alí?

 

De Refugi Incòlume (2010)

 

 

 

Ara que ha arribat l’hora de les síndries

i floreixen els camps dessota els plàstics,

sé que de nou comença l’alegria

de les festes dels pobles i la gresca.

Les processons amargues al capvespre

pasturen sense presa la tristesa,

s’allarguen com un cuc viscós de cera

que estreny, de colp, el silenci del poble.

Més tard, quan ja xerriquen els neumàtics

per la plaça, tothom estén les taules

com un veler el vent i les viandes.

Tallem el pa i el vi ens corre pels llavis.

 

De Refugi Incòlume (2010)

 

 

Agora que chegou a hora das melancias

e florescem os campos debaixo dos plásticos,

sei que de novo começa a alegria

das festas dos povoados e a farra. 

As procissões amargas no entardecer 

pastam sem pressa a tristeza,

alongam-se como uma verme viscosa de cera

que aperta, de golpe, o silêncio do povoado.

Mais tarde, quando já chiam os pneumáticos

pela praça, todos desdobram as mesas

como um veleiro o vento e as viandas.

Cortamos o pão e o vinho corre pelos nossos lábios.

 

De Refugi Incòlume (2010)

 

 

 

CROQUIS

 

Si tireu per ací heu d’anar rectes.

Veureu que hi ha un final de cara vista

cridant amb un cartell deu mil quilòmetres.

Si aneu per l’altra part potser el trànsit

fluid us farà, en canvi, molt més lliures.

El cas és que pels dos camins s’hi arriba,

i també per un altre que és el propi,

el que es troba en girar la pèrdua a l’esquerra,

darrere de la pols, entre muntanyes.

Siga com vullga, jo us estaré esperant a Poesia,

amb un vi negre bo i pa de poble.

Si no sabeu ja com, no tinc telèfon.

Que tingueu bon viatge.

Molt de compte!

 

Poema inèdit

 

 

CROQUI

 

Se vão por aqui, irão direto.

Verão que há um final de tijolo à vista

gritando com um cartaz dez mil quilômetros

Se vão pelo outro lado, talvez o trânsito

fluido os fará, ao invés, muito mais livres.

O caso é que pelos dois caminhos se chega,

e também pelo outro que é o próprio,

o que se encontra ao girar a perdida à esquerda,

detrás do pó, entre montanhas.

Seja como for, eu os esperarei em Poesia,

com um bom vinho tinto e pão rústico.

Se não sabem já como, não tenho telefone.

Que tenham uma boa viagem.

Muito cuidado!

 

Poema inèdito

 

 

Tradução: Magaly Bátory

 

 

 



 

*

Eduard Marco, Borbotó, País Valenciano, 1976. Licenciado em Filologia Catalã pela Universitat de València, onde formou parte do grupo Qasida de poesia. Em 2004 publicou La quadratura del cercle, prêmio Manuel Rodríguez Martínez. Com Càbala (2007) recebeu o prêmio Marc Granell Vila d’Almussafes e em 2010 com Refugi Incòlume obteve o I premio Carles Salvador. Atualmente trabalha como tradutor, lavrador e poeta.

*

 

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