ATRAVÉS
num canto do quarto,
à direita
sentado
repensando & repensando
o mesmo encosto
que suporta
o mundo
vendo revendo antigas
novas tramas
que foram se desfiando
ao longo
da vida
já velho
sem aquela tintura
de antes
o sofá - singelo -
recostado
na pequena parede
que foi branca
um dia
em silêncio,
procurando forças
para sustentar
o tecido
DEVORA
Rumina
Baba
na delícia
do desejo
.
Tenta devorar
Secar a paisagem dela
De longe
Cheio de olhos
Semi-áridos
.
Na bruta
Vontade de libertá-la
De rasgar todas
as suas cascas
cercas
.
Depois
Arreganha a boca
Volta
A comer o pasto
Pelas beiradas
.
Mastiga
De novo
Como irá
Conseguir findar
Aquele verde
PORQUÊ, EU NÃO SEI
minha dor
é uma montanha
rochosa
um monte branco um
himalaia
um kilimanjaro um Andes
um aconcágua
um kihlauea em chamas
também um pão
de açúcar
um pico
da neblina
um fuji nos alpes
italianos um olimpo
em
guaramiranga
minha dor
chapada do araripe
serra
grande
VENTILADOR
não adianta
ter três pás
que giram
desesperadamente
tão forte
a ponto de quase
alçarem vôos
se continuo
aqui
neste mesmo teto
ainda
de cabeça
para baixo
crucificado
provocando
correntes