ZUNÁI - Revista de poesia & debates

[ retornar - outros textos - home ]

 

 

 IVALDO RIBEIRO FILHO 

 

 

ATRAVÉS
                                                     
num canto do quarto,
à direita
sentado

repensando & repensando
o mesmo encosto
que suporta
o mundo

vendo revendo antigas
novas tramas
que foram se desfiando
ao longo
da vida

já velho

sem aquela tintura
de antes

o sofá - singelo -
recostado
na pequena parede
que foi branca
um dia

em silêncio,
procurando forças

para sustentar
o tecido

 

DEVORA
 

Rumina

Baba
na delícia
do desejo

.

Tenta devorar
Secar a paisagem dela

De longe
Cheio de olhos
Semi-áridos

.

Na bruta
Vontade de libertá-la

De rasgar todas
as suas cascas
cercas

.

Depois
Arreganha a boca

Volta
A comer o pasto
Pelas beiradas

.

Mastiga
De novo

Como irá
Conseguir findar
Aquele verde

 

PORQUÊ, EU NÃO SEI
 
minha dor
é uma montanha

rochosa
um monte branco um

himalaia
um kilimanjaro um Andes
um aconcágua

um kihlauea em chamas

também um pão
de açúcar
um pico

da neblina
um fuji nos alpes
italianos um olimpo

em
guaramiranga

minha dor
chapada do araripe
serra
grande

 

VENTILADOR

não adianta
ter três pás

que giram
desesperadamente

tão forte
a ponto de quase
alçarem vôos

se continuo
aqui
neste mesmo teto

ainda
de cabeça
para baixo

crucificado

provocando
correntes

 

* 

 

Ivaldo Ribeiro Filho é poeta, contista, letrista. Publicou O Chão Visitado (2003), No Intuito de Nenhuma Via (2005), Cruviana(2005), Quebranto(2007) e a antologia Poesia Até Agora (2007). Tem artigos e textos publicados em sites da internet. Vive em Teresina, Piauí, e ama o calor.

*

 

retornar <<<

[ ZUNÁI- 2003 - 2008 ]